Gratuidade no transporte público nas capitais pode gerar mais de R$ 60 bilhões por ano

Estudo aponta impacto econômico e social equivalente ao Bolsa Família

Uma análise realizada por duas importantes universidades brasileiras indica que a adoção da tarifa zero nos sistemas de ônibus e metrô das 27 capitais do país poderia injetar cerca de R$ 60,3 bilhões na economia nacional a cada ano.

Os pesquisadores utilizaram dados recentes de mobilidade urbana e informações das operadoras de transporte para estimar o efeito da medida, que seria comparável ao programa de transferência de renda mais conhecido do país.

Além do impulso econômico, a proposta visa reduzir desigualdades raciais e sociais, beneficiando sobretudo a população negra, moradores de áreas periféricas e grupos vulneráveis que já dependem de subsídios como idosos, estudantes e pessoas com deficiência.

Ao considerar as isenções já existentes, que movimentam aproximadamente R$ 14,7 bilhões, o impacto líquido da tarifa zero seria de R$ 45,6 bilhões, representando um aumento imediato de poder de compra para milhares de famílias.

Os autores sugerem que o financiamento da iniciativa poderia ser viabilizado pela substituição do vale‑transporte por contribuições de empresas com dez ou mais empregados, sendo que a maioria dos estabelecimentos — cerca de 81,5 % — ficaria isenta dessa obrigação.

Segundo a pesquisa, a medida funcionaria como um “salário indireto”, reforçando o papel do Estado na promoção de direitos sociais semelhantes aos da saúde e da educação públicas.

Com a proposta de tarifa zero, o governo poderia estimular o consumo interno e, consequentemente, gerar arrecadação adicional de impostos, sem sobrecarregar o orçamento federal.