Pix e cartão de crédito são complementares, diz presidente do BC em audiência no Senado
Gabriel Galípolo destacou que inclusão financeira impulsionou ambos os meios de pagamento, sem rivalidade entre eles
Em fala durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal nesta terça-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que não há rivalidade entre o Pix e o cartão de crédito. Pelo contrário, segundo ele, os dois instrumentos crescem em conjunto, impulsionados pela expansão da bancarização no país.
Galípolo explicou que a popularização do Pix levou milhões de brasileiros para o sistema financeiro formal. “O Pix incluiu pessoas que estavam à margem do sistema, que passaram a ter contas bancárias e, consequentemente, acesso ao cartão de crédito”, declarou. Essa dinâmica, segundo o dirigente, mostra como os meios de pagamento se complementam, em vez de competirem.
Apesar da afirmação, dados recentes confirmam que o Pix já se consolidou como a principal forma de pagamento dos brasileiros desde 2024, utilizado por mais de três quartos da população. A penetração do sistema de pagamentos instantâneos criou um novo patamar de inclusão e conveniência nas transações do dia a dia.
Setores específicos já sentem o impacto dessa transformação. O pagamento de mensalidades escolares via Pix, por exemplo, registrou crescimento de 21% em 2025, movimentando cerca de R$ 690 milhões, segundo informações da Gennera. No comércio eletrônico, a tendência é ainda mais expressiva: a Ebanx projeta que o Pix responderá por metade de todas as transações no e-commerce até 2028, ampliando sua liderança sobre os cartões de crédito.
Para Galípolo, o cenário reforça que a inovação tecnológica no sistema de pagamentos não substitui instrumentos existentes, mas amplia o acesso e a eficiência do ecossistema financeiro como um todo. A percepção de rivalidade, segundo ele, parte de uma análise superficial que não considera a evolução conjunta dos serviços.