Cenário de Crédito e Fraudes no Brasil: Tendências de 2025‑2026

Demanda por crédito

A procura por recursos financeiros mostra sinais mistos. No acumulado do ano, empresas registraram 9,8% de crescimento na demanda, enquanto consumidores avançaram 14,0%. No último mês, porém, ambos os segmentos recuaram, com -4,5% para empresas e -0,4% para pessoas físicas.

Recuperação de crédito

Os índices de recuperação revelam diferenças marcantes. As empresas conseguiram recuperar 38,7% dos créditos ao longo do ano, com 37,2% no mês corrente. Já os consumidores apresentaram taxa média de 57,2% no ano e 53,7% no último mês.

Cadastro Positivo: ticket médio e pontualidade

Nos produtos analisados, o ticket médio varia bastante. Cartões de crédito concentram R$ 1.344,48, com 78,6% de pagamentos pontuais. Empréstimos pessoais giram em torno de R$ 391,16 e apresentam 82,9% de pontualidade. Veículos chegam a R$ 1.373,95 (pontualidade de 81,6%) e o crédito consignado registra o melhor índice de pontualidade, 93,4%, embora o ticket médio seja de apenas R$ 272,05.

Fraudes em alta

As tentativas de fraude acumulam 10,89 milhões de reais ao longo do ano, com 1,02 milhão no último mês. Esse volume pressiona a necessidade de soluções antifraude mais robustas, sobretudo no comércio eletrônico.

Inadimplência

O cenário de inadimplência preocupa. Entre as empresas, o aumento anual foi de 23,6%, representando 8,7 milhões de reais em atraso no mês. Micro e pequenas empresas (MPEs) registram 24,5% de alta, com 8,3 milhões em aberto. Para consumidores, quase metade da população adulta – 49,7% – está inadimplente, totalizando 81,3 milhões no último período.

Atividade do comércio

O comércio apresenta retração discreta, com queda acumulada de -0,6% no ano e -0,7% no mês mais recente, sinalizando pressão sobre o consumo.

Processos judiciais

Falências requeridas somam 698 CNPJs no ano, com 686 processos abertos. Recuperações judiciais são mais frequentes, atingindo 2.466 CNPJs e 977 processos.

Recomendações para o e‑commerce

Frente ao aumento das tentativas de fraude, lojas virtuais devem adotar camadas de proteção. Ferramentas de análise comportamental identificam compras fora do padrão, como valores elevados em horários atípicos ou endereços divergentes. Sistemas de machine learning pontuam cada transação em tempo real, bloqueando atividades suspeitas antes da finalização.

Quando o risco é alto, solicitar informações adicionais – telefone de contato, confirmação por e‑mail ou assinatura eletrônica – reduz a incidência de chargebacks. Transparência na comunicação com o cliente preserva a confiança e evita abandono de carrinho.

Manter a infraestrutura segura é essencial: certificados SSL, atualizações constantes de plataformas e plugins, e escolha de gateways de pagamento reconhecidos evitam vulnerabilidades. Treinamento contínuo da equipe para reconhecer engenharia social e e‑mails fraudulentos complementa a defesa tecnológica.

Por fim, o monitoramento de indicadores – número de fraudes detectadas, transações recusadas e processos de recuperação – permite ajustes rápidos e garante que a experiência de compra permaneça fluida, sem comprometer a segurança.