Inflação em Salvador atinge recorde de 25 anos impulsionada pelos combustíveis
Diesel dispara e encarece a cesta básica
Em abril, o índice de preços ao consumidor (IPCA‑15) para Salvador e sua região metropolitana subiu 1,19%, o maior aumento mensal registrado nas últimas duas décadas e meia. O principal responsável foi o setor de transportes, que registrou alta de 3,43% após o combustível diesel encerrar o mês com incremento de 13,66%.
O efeito foi sentido rapidamente nos alimentos. O grupo “Alimentação e Bebidas” acompanhou a tendência, avançando 1,19%, enquanto itens como tubérculos, raízes e legumes tiveram alta de 12,78%, refletindo o repasse imediato dos custos logísticos.
Diesel como vetor de preço
Estudos apontam que o diesel nacional subiu cerca de 14,7% entre fevereiro e março, com a Bahia registrando um aumento ainda maior, de 17,78%. O preço médio do combustível passou de R$ 5,74 para R$ 6,78 por litro no estado, colocando‑o entre os mais caros do país.
Ao contrário de outras regiões que seguem a política de repasses da Petrobras, a Bahia depende da refinaria de Mataripe, cujos ajustes ocorrem com maior frequência e são alinhados ao mercado internacional. Essa dinâmica transforma o diesel em um “mecanismo de transmissão” de custos para toda a cadeia produtiva.
Impacto imediato na cadeia alimentícia
O diesel representa o principal custo variável do transporte rodoviário, essencial para a entrega de alimentos frescos. Como frutas, legumes e verduras exigem reposição quase diária, qualquer aumento no preço do combustível se traduz em reajuste imediato dos fretes nas feiras e mercados.
Especialistas destacam que produtos de alta perecibilidade, como tomate e cebola, sofrem variações de preço ao longo da mesma semana, já que os comerciantes precisam repor o estoque com o novo custo de frete.
Gasolina amplia o efeito nas cidades
Ao final de abril, a gasolina registrou alta de 10,2%, atingindo a chamada “última milha” da distribuição. Feirantes, pequenos mercados e distribuidores que utilizam veículos leves sentem o peso desse reajuste, que eleva ainda mais o preço final ao consumidor.
Perspectivas para maio
Mesmo com a chegada de novas safras, a pressão dos combustíveis deve se manter. O custo logístico elevado tende a permanecer nos preços ao varejo nas próximas semanas, limitando qualquer alívio imediato ao bolso das famílias.
Consumidores podem adotar estratégias como buscar substitutos de temporada, reduzir desperdício e negociar melhor no atacado, mas a influência do diesel continua sendo o principal obstáculo para a queda dos preços.