Cartão de crédito consome mais da metade do orçamento familiar, aponta Banco Central

Gastos com cartões sobem 15 pontos percentuais em quatro anos

Segundo os últimos indicadores do Banco Central, a parcela dedicada ao pagamento de faturas de cartão de crédito ultrapassa a metade da renda familiar, atingindo 54 % do orçamento médio. Em 2020 esse número era de 38,5 %.

Alteração no perfil de uso dos cartões

Além do aumento geral, a forma como as famílias utilizam o cartão mudou. Em 2020, 23,5 % da renda era destinada a pagamentos à vista no cartão, enquanto 11,9 % correspondia a compras parceladas sem juros e apenas 3,1 % eram gastos com juros. Em 2024, os pagamentos à vista cresceram para 31 %, as parcelas sem juros subiram para 16,7 % e a parte destinada ao pagamento de juros quase dobrou, alcançando 6,3 %.

Juros rotativos como principal vilão

Especialistas apontam que a escalada dos juros é um dos fatores críticos. Quando o consumidor deixa de quitar a fatura completa, o saldo passa para o próximo ciclo com juros rotativos que podem superar 400 % ao ano, a taxa mais alta do sistema financeiro.

Facilidade de crédito alimenta endividamento

Outro elemento que impulsiona o consumo excessivo é a facilidade de obtenção de crédito após a pandemia. Com um smartphone, basta abrir conta em uma fintech para receber um cartão pré‑aprovado. Essa praticidade tem levado muitas pessoas a abrir novas linhas de crédito e, em alguns casos, a acumular dívidas sem perceber.

Alerta para o futuro das finanças domésticas

Com quase metade da renda comprometida com cartões de crédito, o risco de inadimplência aumenta, sobretudo entre famílias que ainda dependem de parcelas sem juros para adquirir bens. O cenário exige maior atenção ao planejamento financeiro e à educação sobre custos reais do crédito rotativo.