Trabalhadores poderão usar FGTS para pagar dívidas a partir desta terça-feira
Mecanismo do Desenrola 2.0 abre janela para saque parcial do fundo com limite de R$ 1.000
A partir do dia 26, quem possui FGTS poderá colocar a mão no bolso do fundo para quitar pendências. A mudança chega por meio do programa Desenrola 2.0 e foi oficializada nesta quinta-feira. Segundo informações divulgadas pelo governo, o valor movimentado pode chegar a R$ 8 bilhões em todo o território nacional.
Para participar, o trabalhador precisa ir até o banco e se cadastrar no programa. Não se trata de saque integral, mas de retirada parcial. O teto estabelecido é de R$ 1.000 ou até 20% do que resta no FGTS, o que for menor. Essa regra visará proteger o trabalhador de usar demais do seu fundo de garantia.
Uma novidade é que 10 mil agências dos Correios também serão equipadas para receber o cadastro. A ideia é facilitar o acesso para quem vive em regiões sem bancos físicos ou que enfrenta dificuldade para se deslocar até uma agência tradicional.
O contexto é preocupante. Cerca de metade dos adultos brasileiros está com o nome sujo, segundo levantamento de consultora de crédito. Esse volume enorme de pessoas negativadas freia o consumo e complica o dia a dia de milhões de famílias. As autoridades esperam que a medida ajude a reorganizar a vida financeira de quem está travado.
O ministro da Fazenda reforçou, na mesma oportunidade, que o programa já renegociou R$ 10 bilhões desde seu lançamento, em pouco mais de um mês. Até o dia 14 de maio, 1,1 milhão de operações já haviam sido concretizadas, beneficiando mais de 1 milhão de CPFs. Quase 450 mil dívidas também foram quitadas à vista nesse período.
A expectativa é de que, com o nome limpo, essas pessoas consigam voltar a planejar suas finanças e retomar a compra de bens e serviços. O governo enxerga na iniciativa um meio de impulsionar o mercado interno e contribuir para a estabilidade da economia do país no médio prazo.